Doenças inflamatórias das artérias cerebrais (arterite cerebral)
Arterite Cerebral (Vasculite do SNC): Visão Geral
A Arterite Cerebral, mais comumente conhecida como Vasculite do Sistema Nervoso Central (SNC), é uma condição grave caracterizada pela inflamação das paredes dos vasos sanguíneos (artérias, arteríolas, capilares, vênulas ou veias) dentro do cérebro, da medula espinhal e, às vezes, das meninges [1, 2]. Essa inflamação pode danificar as paredes dos vasos, levando a:
- Estreitamento (estenose) ou bloqueio (oclusão) da luz do vaso, causando AVC isquêmico ou ataques isquêmicos transitórios (AITs).
- Enfraquecimento da parede do vaso, podendo levar à formação de aneurismas e AVC hemorrágico (hemorragia intracerebral ou subaracnóidea).
- Vazamento dos vasos inflamados contribuindo para o edema ou inflamação cerebral.
A vasculite do SNC é relativamente rara, mas pode causar morbidade e mortalidade neurológica significativa se não for diagnosticada e tratada prontamente [1, 2].
Causas e Classificação
A vasculite do SNC é amplamente classificada em duas categorias principais [1, 2]:
- Angiite Primária do SNC (PACNS): É a vasculite confinada apenas ao SNC, sem evidência de inflamação ou vasculite em outras partes do corpo [1, 2]. Sua causa é desconhecida (idiopática), embora se suspeite de um mecanismo autoimune [2]. Patologicamente, frequentemente mostra inflamação granulomatosa, mas existem outros padrões [1].
- Vasculite do SNC Secundária: Ocorre quando a inflamação dos vasos sanguíneos do SNC faz parte ou é uma complicação de outra condição subjacente [1, 2]. As causas incluem:
- Doenças Autoimunes / Inflamatórias Sistêmicas: A vasculite pode afetar o cérebro como parte de condições sistêmicas, como [1, 2]:
- Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES)
- Artrite Reumatoide
- Síndrome de Sjögren
- Sarcoidose
- Doença de Behçet
- Vasculites associadas ao ANCA (Granulomatose com Poliangiite [GPA], Poliangiite Microscópica [MPA], Granulomatose Eosinofílica com Poliangiite [EGPA])
- Arterite de Células Gigantes (ACG) / Arterite Temporal: Afeta principalmente grandes artérias extracranianas, mas pode envolver vasos intracranianos, incluindo as artérias vertebrais/basilares.
- Poliarterite Nodosa (PAN)
- Infecções: Vários agentes infecciosos podem invadir diretamente as paredes dos vasos ou desencadear uma resposta inflamatória que leva à vasculite [1, 2]:
- Viral: O Vírus Varicela-Zoster (VZV) é uma causa bem conhecida (vasculopatia por VZV), muitas vezes após herpes zoster ou varicela (às vezes anos depois). O HIV, o Vírus Herpes Simplex (HSV) e o Citomegalovírus (CMV) também podem estar implicados.
- Bacteriana: Complicações da meningite bacteriana (ex., Tuberculose, Sífilis [historicamente comum, hoje menos devido aos antibióticos], doença de Lyme, endocardite bacteriana levando a êmbolos sépticos/aneurismas micóticos/arterite). Patógenos como Streptococcus, Pneumococcus e Haemophilus influenzae foram historicamente associados a complicações vasculares relacionadas à meningite.
- Fúngica: Especialmente em pacientes imunocomprometidos (ex., Aspergillus, Mucor). A mucormicose invadindo dos seios da face pode afetar diretamente vasos adjacentes como a artéria carótida interna.
- Parasitária: Causas menos comuns como neurocisticercose, toxoplasmose, malária (a malária cerebral envolve mais o entupimento de capilares do que uma franca vasculite), esquistossomose, triquinose (sintomas neurológicos muitas vezes são mais embólicos/inflamatórios do que verdadeira vasculite).
- Induzida por Fármacos / Relacionada a Toxinas: Certos medicamentos ou drogas ilícitas (ex., cocaína, anfetaminas, fenilpropanolamina) têm sido associados à vasculite ou vasculopatia do SNC [1].
- Associada a Neoplasia: Raramente, a vasculite pode ser um fenômeno paraneoplásico relacionado a um câncer subjacente [1].
- Doenças Autoimunes / Inflamatórias Sistêmicas: A vasculite pode afetar o cérebro como parte de condições sistêmicas, como [1, 2]:
Algumas condições, como a doença de Moyamoya ou a síndrome de vasoconstrição cerebral reversível (SVCR), envolvem o estreitamento de artérias cerebrais, mas geralmente são consideradas vasculopatias não inflamatórias, embora a inflamação às vezes possa ter um papel ou coexistir [1].
| Tipo | Associações Comuns | Características Típicas | Marca Diagnóstica |
|---|---|---|---|
| Angiite Primária do SNC (PACNS) | Isolada no SNC (idiopática) | Dor de cabeça + AVCs/AITs multifocais ao longo do tempo | Biópsia cerebral (padrão-ouro) + angiografia/LCR anormal |
| Secundária (Autoimune Sistêmica) | LES, Sjögren, GPA, Behçet, ACG | Sintomas sistêmicos + envolvimento do SNC | Autoanticorpos positivos + sinais sistêmicos |
| Vasculite Infecciosa | Vasculopatia por VZV, TB, sífilis, HIV | Febre + AVC/convulsões | PCR/cultura de LCR positiva + estreitamento vascular |
| Induzida por Fármacos/Toxinas | Cocaína, anfetaminas | Dor de cabeça aguda (em trovoada) + AVC | Histórico de exposição + vasoconstrição reversível |
Apresentação Clínica
A vasculite do SNC é frequentemente chamada de "grande imitadora" porque seus sintomas são altamente variáveis e inespecíficos, dependendo do tamanho, localização e número de vasos envolvidos, bem como do ritmo da inflamação [1, 2]. A apresentação pode ser aguda, subaguda ou crônica [2].
As manifestações comuns incluem [1, 2]:
- Dor de cabeça: Freqüentemente grave, persistente ou difusa; pode ser o sintoma inicial.
- Déficits Neurológicos Focais: Apresentando-se como AVC ou AIT (isquêmico ou hemorrágico). Fraqueza (hemiparesia), dormência (perda hemisensorial), distúrbios visuais (hemianopsia, diplopia), problemas de fala (afasia, disartria), ataxia. Múltiplos AVCs que ocorrem ao longo do tempo ou em diferentes territórios vasculares devem levantar suspeitas.
- Comprometimento Cognitivo / Encefalopatia: Variando desde confusão leve, problemas de memória e alterações de personalidade até delírio grave ou coma. Pode ser progressivo.
- Convulsões: Focais ou generalizadas.
- Mielopatia: O envolvimento da medula espinhal pode causar fraqueza, nível sensorial e disfunção intestinal/vesical.
- Neuropatias Cranianas: Menos comuns, mas podem ocorrer.
- Sintomas Sistêmicos (na Vasculite Secundária): Febre, mal-estar, perda de peso, erupção cutânea, artrite ou sintomas relacionados com a doença sistêmica subjacente específica. Eles estão tipicamente *ausentes* na PACNS.
Diagnóstico
O diagnóstico da vasculite do SNC é desafiador e requer a exclusão de outras condições que podem causar sintomas neurológicos e achados de imagem semelhantes (ex., infecção, embolia, SVCR, vasculopatias genéticas, doença desmielinizante, neoplasia) [1, 2].
Diagnóstico Diferencial da Vasculite do SNC [1, 2, 3]
| Condição | Principais Características / Pontos de Distinção | Investigações Típicas / Achados |
|---|---|---|
| Vasculite do SNC (Primária ou Secundária) | Dor de cabeça, AVCs multifocais (isquêmicos/hemorrágicos) ao longo do tempo, declínio cognitivo, convulsões. Secundária: sintomas sistêmicos presentes. PACNS: isolada no SNC. | RM: Múltiplos infartos/hemorragias/lesões com realce. Angiografia (ASD/Angio-TC/ARM): Estreitamento segmentar ("em colar de contas"), estenose, oclusão (geralmente inespecífico). LCR: Leve inflamação (pleocitose, proteína alta). Biópsia cerebral confirma (padrão-ouro). VHS/PCR elevados (esp. secundária). |
| Síndrome de Vasoconstrição Cerebral Reversível (SVCR) | Dores de cabeça recorrentes "em trovoada" por dias/semanas. Frequentemente com gatilhos (pós-parto, drogas vasoativas). Déficits focais transitórios possíveis. Sem inflamação sistêmica. | Angiografia: Vasoconstrição segmentar multifocal (semelhante à vasculite). LCR normal. Vasoconstrição resolve-se espontaneamente ao longo de semanas/meses no seguimento. RM do cérebro frequentemente normal ou mostra PRES/infartos pequenos. |
| Esclerose Múltipla (EM) | Déficits neurológicos remitentes-recorrentes ou progressivos (neurite óptica, mielite transversa, sinais de tronco encefálico/cerebelo). Tipicamente em jovens adultos. | RM: Placas desmielinizantes características (periventriculares, justacorticais, infratentoriais, medula espinhal), muitas vezes com realce quando ativas. LCR: Bandas oligoclonais. |
| AVC Embólico (Múltiplos Territórios) | Múltiplos AVCs que ocorrem simultânea ou sequencialmente em diferentes territórios vasculares. Exige identificar a fonte embólica (cardíaca, grande artéria). | RM (DWI) mostra infartos agudos em múltiplos territórios. Investigação cardíaca (ECG, Eco, Holter). Imagem vascular de pescoço/aorta. A angiografia dos vasos cerebrais geralmente é normal (a menos que o êmbolo seja visível). |
| Meningite / Encefalite Infecciosa | Febre, dor de cabeça, alteração do estado mental, rigidez de nuca. Pode haver déficits focais ou infartos secundários a vasculite infecciosa/vasoespasmo. | Análise do LCR é diagnóstica (pleocitose, alterações de proteínas/glicose, ID do patógeno específico). RM pode mostrar realce meníngeo ou alterações parenquimatosas. |
| CADASIL / Outras Vasculopatias Genéticas | Condições hereditárias causando doença de pequenos vasos. AVCs recorrentes, migrânea com aura, declínio cognitivo, transtornos de humor iniciando na meia-idade. Histórico familiar. | RM mostra hiperintensidades da substância branca confluentes características (esp. polos temporais no CADASIL), infartos lacunares. Testes genéticos confirmam (ex., NOTCH3 para CADASIL). Biópsia de pele (CADASIL). |
| Síndrome Antifosfolípide (SAF) | Estado de hipercoagulabilidade causando trombose arterial/venosa. Recorrentes AVCs, AITs e outros eventos trombóticos. Associada a doenças autoimunes (ex., LES listado sob Vasculite) ou primária. | RM mostra infartos. Anticorpos antifosfolípides positivos (anticoagulante lúpico, anticardiolipina, anti-beta2-glicoproteína I). |
| Doença/Síndrome de Moyamoya | Estenose/oclusão progressiva das ACIs distais e ACMs/ACAs proximais com o desenvolvimento de extensa rede de colaterais basais ("fumaça"). Causa AVC (isquêmico/hemorrágico), AITs, dores de cabeça. | Angiografia (ARM/Angio-TC/ASD) mostra achados característicos. RM mostra infartos/hemorragias. |
A investigação diagnóstica geralmente envolve [1, 2, 3]:
- Avaliação Clínica: História clínica detalhada e exame neurológico. Avaliar sinais/sintomas sistêmicos é crucial para diferenciar as formas primárias das secundárias.
- Exames Laboratoriais:
- Exames básicos (hemograma completo, eletrólitos, função renal/hepática).
- Marcadores inflamatórios: Velocidade de Hemossedimentação (VHS) e Proteína C-Reativa (PCR) - podem estar elevados, especialmente na vasculite secundária ou ACG, mas muitas vezes normais na PACNS.
- Triagem autoimune: Fator Antinúcleo (FAN), Antígenos Nucleares Extraíveis (ENA), Fator Reumatoide (FR), Anticorpos Anticitoplasma de Neutrófilos (ANCA), níveis de complemento, anticorpos antifosfolípides.
- Pesquisa infecciosa: Hemoculturas, sorologias para sífilis, HIV, Lyme, VZV, hepatite B/C; testes com base em exposição/fatores de risco.
- Análise do Líquido Cefalorraquidiano (LCR) (via Punção Lombar): Muitas vezes mostra sinais inespecíficos de inflamação: pleocitose leve a moderada (glóbulos brancos aumentados, geralmente linfocitária), proteína elevada. Essencial para descartar infecções (coloração de Gram, culturas, PCR para vírus como VZV/HSV). Bandas oligoclonais podem estar presentes.
- Neuroimagem:
- RM do Cérebro: Frequentemente mostra múltiplos infartos isquêmicos de idades variadas em diferentes territórios vasculares (corticais e subcorticais), às vezes com hemorragia, hiperintensidades da substância branca em T2/FLAIR ou lesões com realce. O contraste de gadolínio pode mostrar realce leptomeníngeo ou realce da parede do vaso (usando sequências específicas de imagem da parede do vaso de alta resolução). A RM é altamente sensível para detectar anomalias cerebrais, mas os achados costumam ser inespecíficos para vasculite.
- Imagem Vascular (ARM, Angio-TC, ASD): Pode mostrar anomalias características como estreitamento segmentar ("colar de contas"), estenose, oclusões ou, ocasionalmente, aneurismas. No entanto, os achados podem ser inespecíficos (imitando aterosclerose ou SVCR), e a imagem pode ser normal, especialmente na vasculite de pequenos vasos. A Angiografia por Subtração Digital (ASD) é considerada o padrão-ouro para a morfologia vascular, mas é invasiva e tem riscos.
Venografia por RM mostrando uma trombose do seio transverso esquerdo. Embora a vasculite *possa* afetar veias/seios, ela afeta principalmente as artérias. A trombose venosa é uma condição distinta, às vezes desencadeada por infecção ou inflamação. - Biópsia Cerebral e Leptomeníngea: É considerada o exame diagnóstico definitivo, especialmente para a suspeita de PACNS em que outras causas foram excluídas [1, 2]. Uma biópsia demonstrando inflamação transmural das paredes dos vasos confirma o diagnóstico [1]. No entanto, é invasiva, apresenta riscos potenciais, e o rendimento pode ser limitado pela natureza irregular da doença (erro de amostragem) [1, 2]. A biópsia geralmente é direcionada a uma área que apresenta anomalia na RM [2].
Princípios de Tratamento
O tratamento tem como objetivo suprimir a inflamação, prevenir maiores danos vasculares e lesões neurológicas, e tratar a causa subjacente se for secundária [1, 2].
- Imunossupressão (para vasculite não infecciosa): É o pilar do tratamento para a PACNS e para a vasculite do SNC secundária a doenças autoimunes [1, 2].
- Corticosteroides em Altas Doses: (ex., metilprednisolona intravenosa seguida por prednisona oral) são tipicamente a terapia de indução de primeira linha para controlar rapidamente a inflamação.
- Agentes Citotóxicos: Frequentemente adicionados para a indução em casos moderados a graves, especialmente na PACNS, ou como terapia de manutenção poupadora de esteroides. A ciclofosfamida (oral ou IV) é muito utilizada inicialmente.
- Terapia de Manutenção: Após atingir a remissão, o tratamento muitas vezes é mudado para agentes menos tóxicos, como azatioprina, micofenolato mofetil (MMF) ou metotrexato para controle em longo prazo (muitas vezes 1-2 anos ou mais).
- Agentes Biológicos: O rituximab (anticorpo anti-CD20) ou os inibidores do fator de necrose tumoral (TNF) podem ser usados em casos refratários ou em vasculites sistêmicas específicas.
- Tratamento da Causa Subjacente (para Vasculite Secundária):
- Vasculite Infecciosa: Requer terapia antimicrobiana específica (ex., antivirais em altas doses como aciclovir para VZV/HSV, antibióticos adequados para bactérias/sífilis/TB, antifúngicos para causas fúngicas). A imunossupressão às vezes pode ser cautelosamente adicionada para o componente inflamatório assim que a infecção estiver sob controle, mas pode ser perigosa se a infecção estiver ativa.
- Doença Autoimune Sistêmica: O tratamento se concentra no controle da condição sistêmica subjacente, frequentemente envolvendo corticosteroides e outros imunossupressores adaptados para a respectiva doença.
- Cuidados de Suporte: Manejo das complicações do AVC, controle das convulsões com drogas antiepilépticas, suporte cognitivo, terapias de reabilitação.
- Manejo de Fatores de Risco: O controle dos fatores de risco vasculares tradicionais (hipertensão, diabetes, etc.) permanece importante.
O prognóstico é variável e depende da causa subjacente, da gravidade no diagnóstico, da rapidez do tratamento e da resposta à terapia [1]. A PACNS geralmente requer imunossupressão de longo prazo para prevenir a recaída [2].
Referências
- Ropper AH, Samuels MA, Klein JP, Prasad S. Adams and Victor's Principles of Neurology. 11th ed. McGraw Hill; 2019. Chapter 34: Cerebrovascular Diseases (Section on Vasculitis of the Nervous System).
- Salvarani C, Brown RD Jr, Hunder GG. Adult primary central nervous system vasculitis. Lancet. 2012 Aug 18;380(9843):767-77. (Ou revisão abrangente semelhante).
- Osborn AG, Hedlund GL, Salzman KL. Osborn's Brain: Imaging, Pathology, and Anatomy. 2nd ed. Elsevier; 2017. Section on Vasculitis and Inflammatory Vasculopathies.
- Fauci AS, Langford CA. Harrison's Principles of Internal Medicine. 20th ed. McGraw Hill; 2018. Chapters on Vasculitis.
- Birnbaum J, Hellmann DB. Primary angiitis of the central nervous system. Arch Neurol. 2009 Jun;66(6):704-9.
Veja também
- Doenças cerebrovasculares - AVC isquêmico, ataque isquêmico transitório (AIT):
- Doença isquêmica cerebral:
- Estenose assintomática da bifurcação carotídea com sopro
- Trombose aterosclerótica
- Oclusão aterotrombótica da artéria basilar
- Oclusão aterotrombótica da artéria carótida interna
- Oclusão aterotrombótica da artéria cerebral posterior
- Oclusão aterotrombótica das artérias vertebrobasilar e cerebral posterior
- Oclusão aterotrombótica das artérias vertebral e cerebelar posteroinferior (PICA)
- Embolia cerebral
- Outras causas de AVC isquêmico (infarto cerebral)
- AVC de pequenos vasos (infarto lacunar)
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- Tromboflebite supurativa do seio sigmoide com trombose
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