Reoencefalografia (REG)

O que é Reoencefalografia (REG)?

A **reoencefalografia (REG)** é um método não invasivo baseado na pletismografia de impedância, desenvolvido historicamente para estudar as alterações pulsáteis do volume sanguíneo na cabeça. Envolve a passagem de uma corrente elétrica alternada fraca e de alta frequência através do couro cabeludo por meio de eletrodos e a medição das alterações resultantes na impedância elétrica (resistência). A teoria subjacente era que, como o sangue é mais condutor do que os tecidos circundantes, o aumento cíclico do volume sanguíneo dentro dos vasos durante cada batimento cardíaco causaria uma diminuição mensurável na impedância. Essas flutuações de impedância, sincronizadas com o pulso, eram registradas graficamente como a forma de onda REG.

O objetivo pretendido da REG era obter informações sobre:

  • Tônus vascular cerebral (vasoconstrição/vasodilatação)
  • Elasticidade dos vasos sanguíneos dentro da cabeça
  • Dinâmica geral de enchimento sanguíneo cerebral
  • Diferenças regionais na pulsação sanguínea

Contexto Histórico Importante: A REG é agora considerada uma **técnica diagnóstica obsoleta** na neurologia e medicina cerebrovascular contemporâneas. Sua utilidade clínica é severamente limitada por falhas fundamentais, mais notavelmente a significativa contaminação do sinal pelo fluxo sanguíneo nos tecidos extracranianos (couro cabeludo e músculos). Não pode diferenciar de forma confiável entre alterações circulatórias intracranianas e extracranianas. A avaliação neurovascular moderna baseia-se em tecnologias como ultrassom Doppler Transcraniano (DTC), Angiografia por TC (ATC), Angiografia por RM (ARM), imagens de perfusão (TC/RM) e Angiografia por Subtração Digital (ASD), que fornecem informações diretas, específicas e confiáveis.

A reoencefalografia (REG), um método histórico que usa eletrodos no couro cabeludo para medir alterações de impedância relacionadas à pulsação do volume sanguíneo, é agora considerada obsoleta devido a limitações significativas.

Indicações Históricas para Reoencefalografia

Embora a REG não seja recomendada para diagnóstico pelos padrões médicos atuais, ela foi historicamente explorada ou aplicada por alguns médicos para várias condições envolvendo suspeitas de alterações na circulação cerebral. As informações obtidas eram indiretas e careciam de confiabilidade. Esses usos históricos incluíam a avaliação de:

Os padrões de diagnóstico modernos dependem de imagens validadas e testes funcionais para essas condições.

Princípios e Técnica

A REG opera com o princípio de que as alterações do volume sanguíneo dentro do segmento de tecido entre os eletrodos alteram a impedância elétrica do segmento. Uma corrente alternada de baixa intensidade (níveis seguros de microamperes) e alta frequência (por exemplo, 30-100 kHz) é aplicada. As variações de tensão resultantes, inversamente proporcionais às alterações de impedância causadas pelo fluxo sanguíneo pulsátil, são detectadas, amplificadas e exibidas como a forma de onda REG, normalmente ao lado de um ECG para referência de tempo.

O procedimento típico envolvia:

  1. Limpar o couro cabeludo nos locais dos eletrodos com álcool.
  2. Aplicação de pasta condutora em eletrodos de metal (frequentemente placas circulares).
  3. Colocação de eletrodos de acordo com montagens específicas, como:
    • Fronto-mastoide: Visando capturar sinais predominantemente influenciados pelo território de circulação da artéria carótida interna.
    • Occipito-mastoide: Visando capturar sinais relacionados ao território de circulação vertebrobasilar.
    • Outras montagens também foram usadas para tentar registros mais localizados.
  4. Registro de formas de onda basais.
  5. Às vezes, realizar testes funcionais como mudanças na posição da cabeça, hiperventilação, prender a respiração ou administração de drogas vasoativas, para observar alterações na forma de onda (a interpretação permanecia problemática).

Interpretação e Limitações

A interpretação histórica das formas de onda REG envolvia a análise de várias características morfológicas:

  • Amplitude: Pensava-se que se correlacionava com a quantidade de enchimento sanguíneo pulsátil.
  • Fase Anacrótica (Subida): Velocidade e forma relacionadas à velocidade de influxo e elasticidade da parede do vaso.
  • Fase Catacrótica (Descida): Forma, inclinação e presença/proeminência do entalhe dicrótico relacionado ao tônus vascular e escoamento.

O aumento do tônus vascular era inferido a partir de subidas mais lentas, picos arredondados e entalhes dicróticos reduzidos. A diminuição do tônus era inferida a partir de subidas mais rápidas, picos mais agudos e entalhes dicróticos proeminentes. Estudos após TCE às vezes mostravam alterações na forma de onda interpretadas como vasoespasmo em evolução.

No entanto, o valor clínico dessa interpretação foi severamente prejudicado por grandes limitações:

  • Contaminação Extracraniana: A limitação dominante. As alterações de impedância medidas refletem o fluxo sanguíneo em *todos* os tecidos entre os eletrodos, incluindo o couro cabeludo altamente vascularizado e os músculos supridos pela artéria carótida externa. É impossível isolar de forma confiável a contribuição intracraniana, tornando as conclusões sobre a circulação cerebral altamente especulativas.
  • Falta de Especificidade: A morfologia da forma de onda é afetada por numerosos fatores sistêmicos (frequência cardíaca, pressão arterial, contratilidade cardíaca, viscosidade do sangue) e fatores técnicos (contato do eletrodo, colocação, resistência da pele) não relacionados ao tônus ou fluxo vascular intracraniano.
  • Ausência de Dados Anatômicos: A REG não fornece informações sobre a estrutura dos vasos sanguíneos.
  • Baixa Padronização e Reprodutibilidade: Os resultados variavam significativamente, dificultando comparações confiáveis.
  • Fraca Correlação Fisiológica: A relação quantitativa exata entre os parâmetros REG e variáveis fisiológicas específicas como fluxo sanguíneo cerebral (FSC) ou resistência cerebrovascular (RCV) nunca foi solidamente estabelecida.

Essas falhas fundamentais levaram ao abandono da REG em favor de métodos de diagnóstico neurovascular modernos e validados.

Referências

Nota: Devido à obsolescência da REG, as referências concentram-se em seu contexto histórico, princípios ou avaliação crítica.

  1. Jenker FL. Rheoencephalography: A method for the continuous registration of cerebrovascular changes. Springfield, IL: Charles C Thomas; 1962. (Um texto fundamental descrevendo o método).
  2. Lechner H, Rodler S. Rheoencephalography. In: Handbook of Electroencephalography and Clinical Neurophysiology, Vol. 8B. Elsevier; 1976: 59-78. (Capítulo em um manual histórico detalhando a técnica).
  3. McHenry LC Jr. Rheoencephalography. A clinical appraisal. Neurology. 1965 Feb;15:104-13. DOI: 10.1212/wnl.15.2.104. PMID: 14261397. (Avaliação crítica inicial destacando as limitações).
  4. Perez-Borja C, Meyer JS. A critical evaluation of rheoencephalography in control subjects and in proven cases of cerebrovascular disease. J Neurol Neurosurg Psychiatry. 1964 Feb;27(1):66-72. DOI: 10.1136/jnnp.27.1.66. PMID: 14117682; PMCID: PMC495713. (Outra avaliação crítica questionando sua utilidade).
  5. Yarullin KhKh. [Clinical Rheoencephalography]. Meditsina; 1983. [Russian]. (Exemplo de uma monografia de um período em que a REG era mais amplamente utilizada, particularmente em certas regiões).